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Qual é afinal a importância da tipografia e qual a sua influência na nossa perceção?

Com serifa, sem serifa, itálica, redonda ou condensada? Afinal qual é a influência da tipografia na nossa perceção? 

Fisicamente, comunicamos através da voz, expressões faciais, gestos, postura e linguagem corporal para transmitir uma série de sinais emocionais, desde os mais dramáticos aos mais subtis. O tipo de letra e a maneira como este é aplicado, conferem o mesmo espectro de emoções, tipograficamente.

Em 1933, Poffenberguer e Barrows estudaram o modo como as linhas e as formas podem comunicar emoções. A teoria que defendiam era que, quando olhamos para uma linha, os nossos olhos se movem ao longo da forma. Automaticamente, a experiência transforma-se em algo físico que nos lembra a linguagem corporal que usamos para exprimir as nossas emoções. Os participantes foram então convidados a atribuir uma emoção às várias linhas desenhadas em diferentes direções e, no final, as linhas que tendiam para baixo foram definidas como “tristes” e as que elevavam os olhos, “alegres”.

Cada uma das nossas emoções contém uma multiplicidade de sentimentos e estas nuances podem também ser transmitidas tipograficamente. Os psicólogos Samuel Juni e Julie Gross pediram a 102 estudantes da New York University para ler um artigo satírico do The New York Times. Cada um recebeu textos – relacionados com questões políticas e governamentais – aleatoriamente atribuídos em Arial ou Times New Roman. Posteriormente, foi pedido que qualificassem e adjetivassem a sua interpretação. A análise demonstrou que os textos foram percecionados como mais engraçados e enraivecidos quando escritos em Times New Roman do que quando escritos em Arial. Isto demonstra que a perceção emocional é congruente com a definição de sátira que o texto expressa.

Existe um paralelismo entre a forma como experienciamos o mundo físico e como ele influencia a nossa interpretação das formas do tipo de letra. Quando estamos alegres e nos sentimos felizes, o nosso rosto torna-se mais arredondado com um sorriso de orelha a orelha e a nossa linguagem corporal é mais aberta e diversa. No entanto, em contraste, uma expressão mais zangada, furiosa ou hostil é mais comprimida e aguçada como um animal eriçado ou as suas garras e dentes afiados perante uma ameaça.

Também a nossa caligrafia espelha o nosso humor, estado de espírito e emoções. Quando queremos escrever rapidamente, tendemos para um estilo mais itálico e quando enfurecidos, a letra torna-se mais forte, deliberada e demarcada.

 

 

 

Fonte: Why Fonts Matter – Sarah Hyndman / Emotional and Persuasive Perception of Fonts – Samuel Juni, Julie Gross